O que o CBCM 2026 revelou sobre o futuro da inovação farmacêutica em cannabis medicinal?
Boa leitura!
O 5º Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal 2026 mais uma vez mostrou a maturidade que a cannabis medicinal vem alcançando no Brasil. Entre discussões regulatórias, clínicas e científicas, chamou atenção a presença cada vez mais sólida das áreas de Química e Farmácia, fundamentais para transformar canabinoides em produtos realmente seguros, eficazes e acessíveis ao paciente.
Ainda existe uma percepção simplificada de que o sucesso terapêutico depende apenas do canabinoide utilizado. Mas a realidade farmacêutica é muito mais complexa. Estabilidade, biodisponibilidade, via de administração, adesão ao tratamento e experiência de uso também determinam o resultado clínico. Como discutimos durante o evento, muitas vezes o paciente não abandona o tratamento, ele abandona a forma de usar o medicamento.
Na minha participação no congresso, trouxe justamente a reflexão sobre a importância da inovação racional em cannabis medicinal, centrada no paciente. Isso significa compreender que inovação não é apenas propor sistemas sofisticados, mas desenvolver formas farmacêuticas viáveis, reprodutíveis, seguras e compatíveis com a realidade clínica e regulatória brasileira.
Discutimos alternativas como sistemas transdérmicos, hidrogéis, filmes orais, adesivos inteligentes e plataformas mucoadesivas, que podem melhorar absorção, reduzir variabilidade farmacocinética e favorecer adesão terapêutica. Mais do que tendências tecnológicas, essas estratégias representam uma mudança importante. O foco deixa de estar exclusivamente na molécula e passa a considerar como ela chega ao paciente.
Afinal, a inovação que realmente importa é a que alcança o paciente.
